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Turbulências e perda de receitas, abalaram o mundo sindical?

Atualizado: Fev 24

À medida que surgem novas tecnologias no mundo e diversos setores do trabalho avançam em condições e eficiência, os sindicatos, que são a base de toda classe trabalhadora, garantidores dos direitos destas e de todo um progresso de norte a sul do país, passam por constantes turbulências em suas diversas categorias, ora provocadas por cobranças por parte das próprias categorias, ora por situações políticas e sociais indesejadas.



Assim, as turbulências e perda de receitas do mundo sindical são uma triste e grave consequência destas situações.

Não à toa, o sindicalismo tem sofrido inúmeros ataques no decorrer destas últimas décadas. Estes ataques são oriundos, primeiramente, dos avanços tecnológicos que reduziram drasticamente postos de trabalho e também, nas formas como alguns trabalhos passaram a ser executados.

À medida que novos equipamentos surgem, empresas de diversos setores estudam maior eficiência nos trabalhos, o que acaba implicando em aumento de desempregados, visto que uma máquina acaba substituindo um número considerável de trabalhadores.

Posteriormente, outro ponto que traz turbulência constante ao mundo sindical, são os anseios do trabalhador, que almejando (no seu direito) mais e mais benefícios individuais, não consegue contemplar os vários benefícios que já foram conquistados para toda categoria.

Feito este, obtido graças à incansável luta dos sindicatos.


Estes anseios já eram percebidos por boa parte das lideranças sindicais no Brasil, desde 2010 a 2015, quando em meio às campanhas de sindicalização, ocorridas por todas as centrais sindicais, era notório o descontentamento dos trabalhadores ao pagarem o Imposto Sindical, por conta justamente dos benefícios individuais que eram e ainda são uma esperança para todos.

Neste período, foi colocado em pauta por uma das centrais sindicais, o fim do imposto sindical, no intuito de valorizar ainda mais os sindicatos que realmente trabalham dia e noite em prol do trabalhador, visando as melhorias necessárias que toda classe merece e necessita.

Contudo, logo surgiu reação oposta, dentro da mesma base filiada, e assim, a proposta de se extirpar o imposto sindical da folha de pagamento dos trabalhadores, acabou deixada de lado.

Naquela ocasião, foi alegado que boa parte da classe não estaria "madura" o suficiente, para entender a importância do sindicato em suas vidas e o quanto suas lutas em prol de objetivos maiores para todos, tinham peso no dia a dia da vida de cada trabalhador.


Com o tempo, eis que surge uma terceira turbulência no mundo sindical, e que teve considerável peso na perda das receitas sindicais: a crise econômica, e junto com ela, altas taxas de desemprego, que queimaram ao todo 11% dos trabalhos com carteira assinada.


Muita gente que até então, tinha um trabalho garantido - mesmo que insatisfeita com quaisquer questões, agora, estava novamente naquela outra fila, buscando novas oportunidades, junto a milhões de outros brasileiros. E os sindicatos, já absorvendo o impacto desta e de outras "crises", estavam lá prontos a garantir que seus direitos não seriam surrupiados junto com seus sonhos.

É nesse cenário que entra a "Reforma trabalhista", ainda em 2017, no governo do então presidente Michel Temer. Mudanças na lei trabalhista e nas políticas do trabalho tinham o pretexto de recuperar os postos de trabalho perdidos em anos anteriores, e com suas aprovações, a rentabilidade dos sindicatos foi duramente atingida.

Um golpe de forte impacto em uma classe que sempre quis e lutou pelos direitos de todos, mas que agora estava sem poder contar com o imposto sindical e sem o desconto em folha dos associados.

E aí entra a questão: O golpe foi apenas nos sindicatos ou quem perdeu com isso também foi a classe trabalhadora?

Claro, que quem perde é principalmente a classe trabalhadora.

Muitos não imaginam para que serve um sindicato. Não entendem o quanto, com estas contribuições que recebiam, os sindicatos podiam proteger o trabalho e a renda dos trabalhadores e inclusive buscar as melhorias e benefícios individuais que todos sempre desejam e pedem.

Desta forma, uma vez que a contribuição sindical não fosse mais obrigatória, e não poderiam mais receber as taxas associativas por desconto em folha de pagamento, de que forma os sindicatos poderiam atuar em defesa do trabalhadores que não pudesse ter ninguém para lutar por ele frente a seus patrões? Frente a situações de injustiça? Frente à menor possibilidade de perder o seu postos de trabalho sem a garantia de seus direitos?

Justamente, sempre foi o sindicato que lutou e brigou por melhores benefícios, reajustes anuais, banco de horas, planos de participação em lucros, suporte e orientação jurídica gratuitos, colônias de férias, tratamento médico, odontológico, convênios, clubes, dentre outras.

Agora, em 2020, a turbulência é outra. O inimigo, agora, chama-se COVID-19 e já está causando enorme impacto na vida de milhões de trabalhadores que se já não assinaram o seu aviso prévio, estão preocupados com isso.

Segundo projeções otimistas, 13% da força de trabalho registrada, além de 20% em fechamento de micro e pequenas empresas na área de serviços, é o que o mercado prevê nos próximos meses, tão logo a quarentena acabe.

Reduz-se desta forma, com a perda dos postos formais de trabalho, toda base trabalhadora e potenciais filiados e associados.

Sem isto, a pergunta que fica é: como representar as categorias e continuar lutando por elas e garantindo seus direitos?

A situação é caótica. Muitos sindicatos estão apreensivos porque não sabem até que ponto poderão continuar representando suas categorias. Perdendo cada vez mais receitas, suas ações se tornam bastantes limitadas.

E engana-se quem acredita que os sindicatos patronais não estão na mesma situação. Todos passam pelas mesmas dificuldades e incertezas.

Justamente por isso, a SERBEN acredita que o momento ainda é favorável. Há em meio a toda essa turbulência, uma real oportunidade para que os sindicatos que realmente acreditarem em seu potencial, possam voltar a representar suas classes como antes podiam.

Se os sindicatos vão acabar fechando com o passar do tempo, em função das turbulências e da perda de receitas? A resposta é NÃO!

Todos sairão ainda mais fortes, porque em meio a tantas incertezas, a única garantia que existe é que os trabalhadores ainda tenham um lugar para contar, sempre que a situação estiver complicada e a demissão bater a sua porta.

Este lugar sempre será o Sindicato, a casa de todos os trabalhadores.

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